Como atravessar os dissabores do dia a dia com humor e leveza

Sorrir não apaga os problemas, mas pode torná-los mais leves e menos sufocantes

 
(Foto: Samsung UK/Unsplash) Leveza e bom humor não são fuga da realidade, mas formas de enfrentá-la com mais equilíbrio

em situações que parecem tão caóticas, difíceis e desgastantes que as únicas respostas emocionais são estresse, desânimo e ansiedade. Mas, um tempo depois, quando tudo se acalma, as risadas aparecem ao relembrar a experiência. Nesse momento, é tão fácil perceber como tudo poderia ter sido vivido com mais criatividade, humor e leveza.

Se é possível fazer essa análise depois que as situações já passaram, por que não tentar aplicar a leveza como lema de vida?

Ressignificar as situações

 

O bom humor é um recurso muito importante para a saúde mental.

“Estudos da neuropsicologia mostram que o riso e os estados emocionais positivos aumentam a liberação de neurotransmissores como a dopamina e a serotonina, que melhoram tanto a regulação do estresse quanto a capacidade de adaptação”, explica a neuropsicóloga Aline Graffiette.

Por isso, essas pessoas tendem a lidar com adversidades de forma mais flexível, de modo a preservar a energia emocional para buscar soluções.

Rir de si mesmo ou de uma situação é uma forma de ressignificar o que aconteceu. Sabe aqueles momentos que você diz: “Que bom que agora posso rir da situação?” Nesse momento o cérebro interrompe o ciclo de autocrítica e reduz a ativação da amígdala (que faz o processamento de emoções e respostas de ameaça). Assim, através das risadas, acontece uma sensação de alívio e abertura de novas perspectivas. 

Na psicanálise, o bom humor está ligado à capacidade de simbolizar e elaborar experiências difíceis. “A resiliência surge quando o sujeito pode brincar com a realidade sem negá-la, transformando a dor em narrativa, em criação, em algo que não paralisa. O humor é uma das mais sofisticadas defesas do psiquismo, como já dizia Freud”, explica o psicanalista e neuropsicólogo Jorge Guedes.

A leveza é uma atitude que mostra que os indivíduos conseguem elaborar a situação e dar um novo sentido a ela.

“O riso aqui não apaga o problema, mas diminui sua tirania sobre a vida psíquica.”

Como desenvolver atitudes mais leves

O bom humor e a leveza cotidiana não surgirão depois de decorar todas as “piadas prontas” do mundo. É necessário prática e ferramentas emocionais.

 

“A prática da atenção plena, a gratidão diária, o convívio social positivo e até atividades prazerosas simples, como ouvir música ou caminhar, treinam o cérebro para buscar estados emocionais equilibrados”, aponta Aline.

“Pequenos rituais de humor, como compartilhar uma piada, ouvir algo engraçado ou escrever sobre o que deu errado de forma irônica, ajudam a aliviar tensões.”

Mudar o foco diante dos problemas também é uma ótima oportunidade. Em vez de dar ênfase ao problema, treine o modo de olhar para a solução e o aprendizado. Dessa forma, o cérebro entende que nem todo contratempo é uma crise.

“Primeiro, aceite que o aborrecimento faz parte da condição humana. A partir daí, é possível escolher não se identificar completamente com ele. Transformar algo frustrante em narrativa, piada ou partilha com alguém de confiança já é um modo de ressignificar”, destaca Jorge.

“A leveza não elimina o sofrimento, mas o torna habitável, menos solitário e mais humano.”

É importante lembrar que leveza e bom humor não são sinônimos de irresponsabilidade. Ou seja, não é negar os fatos, mas enfrentá-los sem peso emocional excessivo. Usar o humor como forma de evitar compromissos e negar a realidade está longe de ser uma leveza consciente e emocionalmente estável.

 

Fonte: site vidasimples.co

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